A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, nesta sexta-feira (24), uma operação que resultou na prisão preventiva de quatro pessoas suspeitas de integrar um esquema de agiotagem e associação criminosa no município de Guaraí, região centro-norte do estado. Entre os detidos estão dois policiais militares, um servidor do sistema prisional e um homem apontado como agiota.
Segundo as investigações, o grupo utilizava a estrutura pública e até armamento oficial para intimidar vítimas durante a cobrança de dívidas. A ação, denominada Operação Nêmesis, cumpre ao todo 13 ordens judiciais expedidas pelo juiz de garantias Milton Lamenha. Além das prisões, também foram autorizados seis mandados de busca e apreensão e três determinações de afastamento das funções públicas pelo período de 60 dias, com recolhimento das armas dos envolvidos.
De acordo com a apuração conduzida pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Palmas, os suspeitos se valiam da influência dos cargos públicos para coagir devedores, atuando em benefício do suposto agiota. Um empresário de 45 anos e sua mãe, de 65, estão entre as vítimas do esquema, tendo relatado ameaças constantes ao longo de mais de dois anos.
A dívida teria começado em Guaraí, quando o empresário contraiu um empréstimo com um dos investigados. Com a aplicação de juros considerados abusivos — que chegaram a cerca de R$ 4 mil mensais — o valor se tornou impagável. Mesmo após a venda do negócio da vítima na cidade, as cobranças continuaram.
Posteriormente, já em Palmas, onde o empresário recomeçou sua atividade comercial, as intimidações teriam se intensificado. Em fevereiro deste ano, o estabelecimento foi invadido por indivíduos que exigiam o pagamento sob ameaças, inclusive com uso de arma, colocando em risco a integridade da mãe do empresário.
Ainda conforme a Polícia Civil, um dos investigados chegou a simular o registro de ocorrência policial como forma de pressionar o pagamento da dívida. Entre os envolvidos há servidores públicos de diferentes vínculos, com idades entre 30 e 47 anos, além de um contratado de 36 anos.
A defesa dos suspeitos informou que só irá se manifestar após ter acesso completo aos autos do processo, destacando que, por se tratar de investigação sob sigilo, qualquer posicionamento neste momento seria precipitado.
A Secretaria da Segurança Pública informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis participantes do esquema criminoso. Até o momento, não houve manifestação oficial da Polícia Militar nem da Secretaria da Cidadania e Justiça.




